A iniciativa busca promover o empreendedorismo feminino como um instrumento de inclusão social e econômica, bem como um motor de desenvolvimento para o Brasil.
Um dos trabalhos que a Associação Impact Hub Brasil tem feito em políticas públicas e desenvolvimento de ecossistemas é a participação na Estratégia Nacional de Empreendedorismo Feminino “Elas Empreendem”.
O que é a Estratégia Nacional de Empreendedorismo Feminino “Elas Empreendem”?
O “Elas Empreendem” é uma iniciativa intersetorial destinada a promover o empreendedorismo feminino como um instrumento de inclusão social e econômica, bem como um motor de desenvolvimento para o Brasil.
Instituída pelo Decreto no 11.994, de 10 de abril de 2024, a estratégia visa articular e coordenar esforços entre órgãos e entidades da administração pública federal, setor privado e sociedade civil para superar as barreiras sistêmicas que limitam o potencial empreendedor das mulheres brasileiras.
Quais são os objetivos do “Elas Empreendem”?
O trabalho a ser realizado pela estratégia “Elas Empreendem” é abrangente e estruturado em torno de quatro eixos principais:
- Acesso ao mercado e inclusão socioprodutiva: Facilitar a entrada e a competitividade das mulheres no mercado, promovendo a inclusão socioprodutiva.
- Acesso à tecnologia e à inovação: Garantir que as mulheres empreendedoras tenham acesso às tecnologias mais avançadas e oportunidades de inovação.
- Acesso ao crédito: Ampliar as oportunidades de crédito e financiamento para mulheres, tornando os recursos financeiros mais acessíveis.
- Educação empreendedora: Promover a capacitação e o desenvolvimento contínuo das habilidades empresariais das mulheres através de programas educacionais específicos.
Além desses eixos, o trabalho envolve:
- implementação de programas de mentoria;
- criação de redes de apoio;
- promoção da equidade de gênero;
- fortalecimento da representatividade feminina em órgãos decisórios e políticos.
A execução da estratégia também requer parcerias com instituições financeiras para oferecer melhores condições de crédito, e campanhas de conscientização sobre a importância do empreendedorismo feminino para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Como nós, da Companhia de Impacto, estamos contribuindo?
Antes do decreto, naturalmente, várias iniciativas já aconteciam nessa área de fomentar o empreendedorismo feminino no Brasil, mas houve um esforço de fazer um direcionamento e uma estratégia única para que ministérios, organizações de fomento nacionais e organizações da sociedade civil caminhem na mesma direção.
“Neste momento, estamos trabalhando para criar um índice de empreendedorismo feminino e uma plataforma completa de soluções que vão endereçar os problemas mais importantes de empreendedorismo feminino no Brasil”, conta Gabriela Werner, diretora e cofundadora do Impact Hub São Paulo, Floripa, Porto Alegre e Cuiabá.
Em que etapa a estratégia está?
O “Elas Empreendem” encontra-se na Fase II, em que está condensada a maior parte da implementação e busca por resultados do projeto.
Estamos construindo o Índice de Empreendedorismo Feminino, que é um índice para definir o potencial e de empreendedorismo feminino em municípios brasileiros. Ao longo da Fase II, serão pelo menos 30 cidades que vão ser analisadas segundo o índice, considerando diferentes aspectos, como acesso a crédito, educação empreendedora, acesso ao mercado e inclusão socioprodutiva, acesso à tecnologia e inovação, qualidade de vida e bem-estar e suporte político e institucional para mulheres.
Para o desenvolvimento do índice, buscamos pessoas da academia que trabalham com pesquisas de gênero e de políticas públicas para compor esse time de consultoras. Temos ainda uma pessoa consultora em dados para desenvolver o modelo matemático e estatístico desse índice e transformá-lo em um painel de dados.
Além do desenvolvimento do índice, a Fase II contempla uma curadoria de soluções de empreendedorismo feminino, em que serão selecionadas 25 iniciativas para compor uma plataforma. O objetivo é ser uma vitrine de boas práticas para prefeituras e órgãos municipais fazerem contratações ou se inspirarem sobre o que criar em termos de políticas públicas.
“Estamos olhando para iniciativas nacionais e internacionais que melhoram o cenário do empreendedorismo feminino em diversas formas, seja diretamente, capacitando mulheres para acesso ao mercado e inclusão produtiva, ou indiretamente, com relação a qualidade de vida e bem-estar”, diz Marina Ferraz, coordenadora do projeto.
Uma das iniciativas, por exemplo, aumenta a disponibilidade e a eficiência das creches dos municípios, permitindo que mulheres tenham mais tempo para empreender porque não precisam se dedicar exclusivamente a cuidados da maternidade e tarefas domésticas.
Das 25 iniciativas, vamos selecionar 5 para serem implementadas em 10 municípios escolhidos para receber o piloto do índice, permitindo um acompanhamento dos dados de implementação e a observação de como elas podem contribuir na prática nos municípios.
Também faz parte da Fase II a gestão de comunidade.
“Vamos anfitriar uma comunidade nacional focada no tema, com representantes de organizações públicas e privadas que trabalham diretamente na temática, além de produzir conteúdos inspiradores sobre o tema e realizar um evento nacional sobre o assunto”, explica Caio Zucchinali, gestor de programas focados em ecossistemas e inovação no Impact Hub Floripa.
Para desenvolver toda essa estratégia, além do time do Impact Hub, estamos contando com pessoas consultoras e suporte do Sebrae, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e do Comitê de Empreendedorismo Feminino, para recebermos contribuições e para estarem por dentro do processo.
Como a estratégia está sendo construída?
Utilizando a ferramenta Teoria da Mudança, o “Elas Empreendem” guia suas ações de forma estruturada e baseada em evidências. A metodologia define o caminho necessário para alcançar os objetivos desejados, identificando as mudanças para se chegar ao impacto final.
Este processo envolveu a elaboração de um plano estratégico que considera as causas subjacentes das desigualdades de gênero no empreendedorismo e estabelece soluções específicas para enfrentá-las.
Ao envolver diversos atores e entidades, a construção colaborativa do plano estratégico, conduzida pelo Impact Hub Brasília, visa garantir uma abordagem abrangente e alinhada com as necessidades e expectativas do ecossistema empreendedor feminino, promovendo uma atuação mais efetiva e sustentável na busca pela igualdade de oportunidades e pelo desenvolvimento econômico impulsionado pelas mulheres empreendedoras.
Etapas da construção da Teoria da Mudança
Para a elaboração do diagnóstico que serve como base para todas as fases seguintes de construção da Teoria da Mudança, foram definidas 5 etapas essenciais:
- Fase inicial de análise: análise de documentos e pesquisas já existentes relacionados ao tema do empreendedorismo feminino em âmbito nacional, para subsidiar com dados e indicadores.
- Árvore desafios e soluções: ferramenta para dissociação e compreensão de desafios complexos, de maneira a possibilitar uma visão clara do problema que se deseja resolver, bem como suas causas e consequências.
- Matriz SWOT: compreender o contexto no qual a estratégia está inserida, em busca de mitigar riscos e aproveitar importantes oportunidades que possam fortalecer as ações.
- Entrevistas: coletar dados qualitativos por meio de entrevistas com mulheres e homens de diversas áreas, várias regiões do país e diferentes realidades, garantindo a diversidade e multiplicidade de perspectivas.
- Mapa do sistema: diversos atores e iniciativas já trabalham com a temática do empreendedorismo feminino. Representar esse sistema é importante para identificar as diferentes frentes que já estão em curso, que atores já estão engajados e quais organizações e iniciativas precisam ser provocadas e integradas.
Você pode acessar a planilha com informações das iniciativas destacadas no mapa do sistema aqui.