O papel das aceleradoras no fomento do ecossistema de impacto brasileiro

Especial 5 min. de leitura 11.06.2024

Nos últimos anos testemunhamos um crescente interesse no Brasil por parte de empreendedores e investidores no setor de impacto social. Estudos realizados pela pipe.social, entre o início de 2017 e o final de 2018, mostram que os negócios de impacto no Brasil cresceram 73,06%.

Junto a esse movimento, houve um aumento de 74% no número de fundos ESG de 2008 a 2022 — segundo a Anbima. Com mais negócios de impacto no mercado e mais recursos disponíveis, é necessária a ampliação de espaços e mecanismos para o amadurecimento do setor.

Nesse contexto, as aceleradoras desempenham um papel fundamental no fomento do ecossistema de impacto brasileiro.

As aceleradoras são organizações que apoiam startups oferecendo suporte e orientação em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Atuam como catalisadoras do crescimento dessas empresas, assessoram os idealizadores na consolidação da ideia e posicionamento no mercado.

Através de mentorias, conexões e acesso a investidores, também auxiliam no processo de captação de recursos, planos de negócio, pitch decks e estratégias de abordagem aos investidores.

No cenário do impacto social, as aceleradoras desempenham um papel fundamental impulsionando negócios escaláveis, com potencial de crescimento e que buscam criar mudanças positivas e duradouras na sociedade, ao mesmo tempo que geram retornos financeiros.

Uma das principais contribuições das aceleradoras para o ecossistema de impacto brasileiro é o apoio na validação do modelo de negócio dos empreendimentos.

Diversas startups de impacto enfrentam o desafio de equilibrar impacto social e sustentabilidade financeira.

As aceleradoras auxiliam os empreendedores na identificação de oportunidades de mercado, no ajuste do modelo de negócio e na definição de estratégias para maximizar o impacto e a rentabilidade.

O processo de aceleração proporciona acesso a uma ampla rede de mentores e especialistas que compartilham conhecimentos e experiências valiosas. Essa troca de informações e networking, são fatores essenciais para a evolução das startups aceleradas.

Outro aspecto relevante é o acesso a recursos financeiros. As aceleradoras possuem a rede de contatos necessária para conectar startups aos empreendimentos sociais e a investidores interessados em apoiar negócios com potencial e propósito.

Essa ponte entre empreendedores e investidores é essencial para viabilizar o crescimento e a escalabilidade dos negócios de impacto.

Além de articular e fortalecer o ecossistema de impacto, as aceleradoras promovem eventos, workshops e encontros que estimulam a colaboração e conexão entre empreendedores, investidores, organizações sociais e governo.

Essa integração é capaz de cria um ambiente propício ao desenvolvimento de soluções inovadoras e para superar os desafios estruturais do Brasil.

É fundamental promover a diversidade e a inclusão no setor, garantindo oportunidades iguais a todos os empreendedores, independentemente de gênero, raça ou origem social.

Apesar dos avanços, há muito a ser feito para fortalecer o ecossistema de impacto brasileiro. A necessidade de democratizar o acesso às aceleradoras é real, sobretudo para empreendedores de regiões remotas e de baixa renda.

Como exemplo dessa democratização, citamos o InovAtiva de Impacto Socioambiental, uma política pública nacional, para negócios de base tecnológica e negócios de impacto social ou ambiental — que estão buscando crescer e se desenvolver no ecossistema.

Realizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e pelo Sebrae Nacional, com execução pela Fundação CERTI em rede com o Impact Hub e a Associação Brasileira de Startups, a iniciativa já acelerou 269 startups de impacto.

Presente em todas as regiões brasileiras, o Inovativa foca em democratizar o acesso a metodologias e ferramentas empreendedoras.

O ano de 2022 foi extremamente relevante para o InovAtiva de Impacto Socioambiental.

Foram dois ciclos de aceleração ao longo do ano, além de:

  • 276 startups inscritas
  • 100 selecionadas
  • 79 aceleradas
  • 44 graduadas

Startups de todas as regiões do país e dos mais variados segmentos e propósitos. Após o ciclo de aceleração, 30% dessas startups afirmaram que conseguiram algum tipo de investimento.

O desafio de executar o InovAtiva de Impacto Socioambiental em abrangência nacional é fazer com que todas as partes estejam conectadas, capacitadas e se sintam pertencentes.

Ainda assim, a taxa de satisfação dos dois ciclos de 2022 foi superior a 9.

“Aprendemos muito sobre a Teoria da Mudança! Aprendemos a pensar e repensar nossos processos para conseguirmos avaliar o que importa para o impacto e deve ser medido no início, e no final, das nossas entregas. Com o objetivo de…”

Esse é o trecho do depoimento da Marcia Barreto, COO e Commercial Director da n2, startup destaque em 2022.1. Quer ter acesso a esse depoimento completo, conhecer o perfil das startups que passaram pelo inovativa e ter um panorama geral do impacto mensurado?

Acesse o Relatório de Impacto 2022 do Inovativa de Impacto Socioambiental e fique por dentro do cenário nacional de impacto.

As aceleradoras compõem o pilar de um setor em ascensão, baseado em negócios inovadores com potencial de transformação social e econômica e por isso, não é exagero afirmar que o futuro do setor de impacto social no Brasil passa pelas aceleradoras, que ampliam o alcance de iniciativas sociais e promovem a inovação.

 


Texto por

Gabriela Abdalla, Coordenadora de Comunicação e Marketing e

Ana Hoffmann, Gerente de Projetos no Impact Hub Brasil.

 

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