Nesta quinta-feira, 22 de maio, o Impact Hub São Paulo promoveu mais uma edição do IM Talks, reunindo representantes de empresas, governo, organizações sociais e especialistas em inovação climática no espaço em parceria com o CIVI-CO. O encontro teve como foco preparar o ecossistema de impacto para a COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA), e provocar reflexões sobre a interseção entre clima, equidade e estratégia de negócios.
“Não estamos apenas nos preparando para estar na COP30, estamos mobilizando nossas conexões para levar soluções reais, criadas a partir de colaboração intersetorial.”
— Ana Hoffman, Impact Hub
A conferência internacional, marcada para ocorrer em território amazônico, foi apontada como um marco simbólico e estratégico. Frank Hida, da International Agency for the Prevention of Blindness, destacou que será o momento de ampliar vozes historicamente silenciadas:
“Mais de 50% da população indígena brasileira não tem acesso à água potável. Vamos lançar um programa nacional de saneamento indígena na COP30, com apoio do governo e parceiros. Porque não há justiça climática sem justiça hídrica.”
Ellen Laureno, da Copa Energia, reforçou o desafio da pobreza energética no Brasil:
“Estamos falando de 20 milhões de brasileiros que não têm acesso ao básico. Como pensar em transição energética sem garantir acesso ao gás de cozinha ou à eletricidade? Nossa resposta foi criar um programa de investimento social voltado a mulheres chefes de família.”
A discussão foi além da emissão de gases ou metas ambientais. A urgência climática foi tratada como um tema de equidade, democracia e inclusão.
“As pessoas mais afetadas pelas mudanças climáticas são justamente as que menos contribuíram para a crise. Estamos falando de racismo climático, de vulnerabilidade extrema. A transição só será justa se não deixar ninguém para trás.”
— Ellen Laureno, Copa Energia
O segundo painel do evento destacou práticas e desafios de grandes corporações na incorporação da agenda ESG.
A Caixa Econômica Federal apresentou sua nova vice-presidência de Sustentabilidade e Cidadania e relatou os esforços para integrar metas ESG às metas de negócio, com apoio da BCG:
“Ainda somos o ‘patinho feio’ dentro da estrutura, mas estamos evangelizando e ‘traficando’ ideias de dentro para fora para acelerar a mudança.”
— Filipe Carvalho, Caixa
A TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil, compartilhou o desafio de engajar mais de 160 pessoas no processo de coleta de dados para ESG, e de adaptar metas com base em materialidade:
“Não existe empresa de sucesso em planeta destruído. Sustentabilidade não é um adereço, é sobre viabilizar o futuro do próprio negócio.”
— Jéssica Martinez, TOTVS
Um tema amplamente discutido ao longo do evento foi a mensuração de impacto real. Os representantes da Caixa e da TOTVS destacaram a dificuldade de medir não apenas os dados internos, mas também os impactos na cadeia de valor e entre stakeholders indiretos:
“Se eu não souber quanto impacto estou gerando, positivo ou negativo, como posso tomar decisões responsáveis? Medir dá trabalho, mas sem isso a gente não avança.”
— Jéssica Martinez
O evento se encerrou com uma fala que ecoou entre os participantes. Ana Hoffman, mediadora da discussão, citou a frase: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Me considero um realista esperançoso”, afirmando que sabemos dos desafios, mas não podemos deixar de esperançar.
Essa esperança se traduz em ação. O IM Talks demonstrou que há um movimento em curso: empresas redesenhando suas estratégias, ONGs ampliando vozes silenciadas, empreendedores criando soluções regenerativas.
O Brasil terá os olhos do mundo voltados para si na COP30. A pergunta é: qual narrativa queremos levar?
Este evento é parte de um esforço contínuo do Impact Hub para conectar inovação, impacto e políticas públicas, e fazer da transição climática uma oportunidade para gerar valor, justiça e regeneração.
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